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Brave New World

Escrito por Juliano Pozati 7 maio 2010 2 pessoas comentaram

Três fatos sobre este blog que você já deve ter percebido: 1) não somos pontuais ou comprometidos com a frequencia / regularidade de publicação de artigos; 2) quando um dos três patetas aqui publica um artigo, todo mundo publica também, o que zoa completamente aquele calendariozinho da coluna da direita; 3) além de tudo isso, me aparece o Ângelo na última semana e inaugura oficialmente a temporada de nostalgia do DuasAsas.com com o artigo Velhos Mensageiros da Paz que, dentre outras coisas, me fez lembrar os velhos tempos em que eu, altas horas da noite, ia à pé para a casa do referido cavalheiro (que então morava a três quarteirões da casa da minha mãe em Jundiaí), para uma rodada de cervejas, piadas, e discussões “teológico-filosóficas-existenciais” que nada tinham de convencionais ou ortodoxas.

A gente geralmente começava a noite com temas profundos como o plano de salvação, a personalidade de Jesus, os carismas do Espírito Santo, etc. Duas ou três cervejas depois começavamos a relembrar os tempos idos do “Jovens Mensageiros da Paz” (Grupo da RCC onde nos conhecemos) e pequenas fofocas recorrentes; seis ou sete cervejas depois estavamos contando pérolas do Luiz, outro amigásso, também do Grupo.

Fato é que numa destas ocasiões, o Ângelo me recomendou um livrinho chamado “Brave New World”. Trata-se de um livro escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932 que narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. Daí que muitas idéias do livro inspiraram o grande Zé Ramalho a escrever a música Admirável Gado Novo – E oh oh vida de gado, povo marcado, povo feliz – e daí que a música do grande Zé Ramalho me inspirou a escrever uma coleção de 3 ou 4 posts sobre o retrato do cristianismo atual ou pelo menos a parte Brasileira que lhe cabe.

É incrível como o panorama, originalmente traçado pelo Huxley no livro e depois musicado pelo Zé simplesmente se encaixam como uma luva nesta grande bagunça manipuladora de massas que certos pastores em pele de cordeiro chamam de igreja.

Aí embaixo quebrei a letra da música em 4 partes, e cada uma delas vai virar um link para um novo post sobre o assunto, baseado naquele trecho específico. Por hora, aprecie esta letra e faça as ligações. Você vai ver que não é preciso muitas explicações para entender o que estou querendo dizer.

Parte 1

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber…

E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer…

Parte 2

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal…

E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou…

Parte 3

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela…

Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar…

Parte 4

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado
Êh!
Povo feliz!…

Por Juliano Pozati

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