Mediocridade, um mal silencioso.
Algo que particularmente me incomoda muito é a mediocridade: aquela coisa indigesta, morna, que causa ânsia de vomito até em Deus. Se nem ele agüenta, é porque é algo ruim mesmo. É possível avaliar a mediocridade em diversos aspectos: na arte, no trabalho, nas músicas, nos resultados, etc. Somente porque comparamos com outras coisas do mesmo gênero feitas anteriormente. Entretanto, pensar numa vida medíocre é algo tão subjetivo que ao meu entender só conseguimos uma auto-avaliação a esse respeito. Julgar a mediocridade do outro é se deparar com a própria projeta. Hoje contemplei minha mediocridade. E ela me incomodou.
Às vezes a mediocridade vem disfarça humildade. E, para quem vive numa cultura, cristã ou não, na qual a humildade é extremamente valorizada, eis aí um grande perigo.
Dentro do meu mundinho pequeno, já li e vivi diversas coisas que levaram a me julgar maduro. Já me achei mais inteligente lendo Freud do que Paulo Coelho, vendo café filosófico do que Big Brother, ouvindo Pedro Mariano do que calcinha preta, e, até mesmo, acabando os 7 livros do Harry Potter do que 200 capítulos da novela. Que ignorância!!
Embora eu ainda ache minhas escolhas melhores, preciso todo dia reforçar a idéia de que são melhores só para mim. Simplesmente porque são as minhas escolhas, não porque são de fato.
Me achei medíocre porque olhei no horizonte da minha mente e desejei uma vida fantasiosa na qual tudo aquilo que vislumbramos nos livros, na musica e na filosofia, pudesse se tornar real. Ter uma vida verdadeiramente significativa e fazer diferença positiva no mundo, essa é a idéia. Mas, no fim das contas, acho que tudo isso acontece somente no campo imaginário. Na verdade, dentro da rotina de cada um, todo ser humano, sem exceção, encontra-se no mesmo barco, enfrentando a mesma angústia da vida que se apresenta com roupas diferentes.
Hoje, para mim, o conhecimento não é, em hipótese alguma, garantia de tirar alguém da mediocridade.
Por muito tempo eu deixei de escrever aqui ou em qualquer lugar porque achava que não tinha nada interessante a dizer, mas talvez não fosse isso. Talvez fosse porque sempre ficava esperando uma inspiração vinda do céu como um milagre, não necessariamente pensando assim, mas algo do tipo, só que com ares de racionalismo, negando os resquícios da minha fé infantil. Agora, quero aprender a escrever sem tantas expectativas.
Aprendi que duas coisas importam muito na vida. A primeira delas é que você seja verdadeiro e coerente com aquilo que você é, pensa e sente. É uma fidelidade ao seu “eu” de hoje, porque amanhã seremos a mesma pessoa, mas diferentes, por vezes, muito diferentes, mas, ainda assim, a mesma pessoa.
O que era, o que é e o que será: tudo isso revela aspectos da totalidade de uma pessoa. Toda compreensão de uma pessoa enquadrada em uma fração do tempo é limitada. O que sabemos de nós é pouco porque não vivemos ainda o que seremos. Há sempre surpresas ao nosso respeito a serem reveladas para nós mesmos.
A segunda coisa que vem depois da verdade é uma ação coerente com essa verdade. Importa tomarmos decisões. Não tercerizarmos a ninguém, nem a Deus, a responsabilidade pelo o que acontece na nossa vida. Que você seja, decida e aja!
Hoje eu quis escrever. Sem me importar muito se seria uma leitura boa ou ruim, apenas quis e fiz. Acho que preciso saber mais o que quero e ter coragem de fazer.
Isso não significa ser inconseqüente. Pelo contrário, implica na justa medida da ética. Meu espaço termina onde começa o do outro, mas, por outro lado, não posso viver segundoexpectativas de terceiros.
Que sejamos verdadeiros, corajosos para agir conforme nossas verdades e humildes para perceber que o mundo não se resume aos nossos pontos de vistas. Há outros, muitos outros.
Eles se misturam aos nossos dia-a-dia quando não somos rígidos. E eles nos transformam.
Que possamos mudar sempre e reconhecer novos caminhos para trilhar. Talvez amanhã eu discorde de mim.
As vezes a vida pede que você simplesmente espere. Que, então, você seja paciente para esperar, mas que, enquanto espera, você faça algo!
PS: Assiste um filme muito bonito hoje que me ajudou pensar em algumas coisas das quais coloquei nesse post. O filme chama-se “500 dias com ela”. Fica aí a indicação. Acho que escreverei mais sobre indicação de filmes, gosto disso!!!
Por Felipe Savietto















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