Clássicos “Cristãos” do Terror
O aparente paradoxo de meu tÃtulo não é ao acaso. Terminei há poucos dias o último livro de uma coleção de clássicos do terror, com introdução de ninguém menos que Stephen King. Em um só livro, os caras reuniram “Drácula”, de Bram Stoker; “Frankenstein”, de Mary Shelley e “O médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson.
Interessante que, na época em que foram escritos, a religiosidade estava em alta na Europa, e todos eles tem acentuados traços de Cristianismo/Catolicismo, principalmente Drácula, onde a principal arma contra os vampiros sanguessugas – pasmem - não era a estaca de madeira ou a cruz, mas sim a Hóstia Consagrada.
Mas o que o me leva a recomendá-los é sobretudo a delicadeza com que são capazes de traduzir valores éticos e morais, abordando questões que dividem a opinição pública e o âmago de cada ser humano ainda nos dias de hoje. Mary Shelley por exemplo, traz na figura da criatura avivada por Victor Frankenstein a polêmica mais do que atual sobre a ética no campo da genética. A criatura criada por Victor o persegue até o fim do livro bradando: “Você tem um Criador que te ama! Maldito sou. O meu criador me odeia”.
Em “O Médido e o Monstro” atentei para um detalhe muito interessante. A intenção primeira de Dr. Jekyll, segundo o livro, era tentar deportar de seu próprio corpo o que o apóstolo Paulo chama de “homem velho”, para poder viver uma vida plena de virtudes. Quem nunca quis o mesmo?
Enfim, leiam! Mais do que arrepiados, garanto que ficarão atônitos com os valores retratados nestes clássicos “cristãos” de terror.
Por Juliano Pozati















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