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Ah, o Carnaval!

Escrito por Juliano Pozati 15 fevereiro 2010 6 pessoas comentaram

Demorei, mas cá estou para falar mal do Carnaval. Claro! Por que o espanto? Todo blog cristão que preste fala mal do carnaval. Não sabia? “Carnes Vale” , festa da carne, à carne, para carne. Coisa do Satã, do inimigo, do diabo, da Globo (plenonasmo). Você cristão, não pode se divertir no carnaval não. Muito menos ir para avenida nem nada disso. Isso é para o velho homem ou para homens velhos, tipo Hans Donner. Você tem que ir ao acampamento da igreja, orar, jejuar, ler a Bíblia e se entregar ao marasmo santificador do tédio.Também não pode assistir aos depravados desfiles, com todas aquelas mulatas semi-nuas (como esta aqui da foto – NÃO OLHE!)  mostrando o que podem e o que não podem. Aquelas Marias Madalenas condenadas ao fogo. (Tira os olhos da foto e volta para o texto!)

Risos. Mais Risos… Gargalhadas! – Desculpem não pude me conter!

Gente, ultimamente para ser cristão ter que apresentar receita e exames clínicos de neurose aguda. Quanta bobagem. Ah como nós cristãos somos bons e perfeitos a despeito deste mundidnho de m…

O grande e venenoso mal que o  Carnaval nos faz é o seu efeito “idiotizante”, bem como todo tipo de espetáculo, desde a antiga Roma.  Não falo de suas riquezas culturais, do grande benefício para a economia e turismo que ele proporciona, importando gringos como Madonna e  Gerard Butler para torrar seus doletas em nossa festa Tupiniquim (aliás aqui cabe um daqueles grandes parênteses; só município do Rio de Janeiro recebeu durante os dias de folia aproximadamente 730 mil turistas brasileiros e estrangeiros, tendo registrado taxa de ocupação de 94% em sua rede hoteleira. Tantos visitantes também foram responsáveis pelo incremento no volume de recursos deixados no município. A renda gerada por eles subiu de R$ 521 milhões em 2009 para R$ 528 milhões neste ano). O que critico mesmo é o êxtase com que o “povo heróico” se entrega aos grandes espetáculos, consumindo-se e consumindo grande parte de seus neurônios e tempo com depravada mediocridade, equanto o mundo de verdade continua lhes passando a perna, e Brasília se esbaldando em banquetes de corrupção.

Isso, a nossa porcaria super igreja não tem coragem de falar. O carnaval é do Diabo! Fechem-se, isolem-se, não se contaminem!  Sejam ovelhinhas obedientes, mudas, mediocres e esperem porque UM DIA Deus fará justiça com as próprias mãos e jogará os pecadores no inferno.(Incluindo essa mulata da foto de cima – NÃO OLHE!)

Que grande bobagem!

Enquanto pedimos para montar tendas no monte da tranfiguração, ao som do melhor praise & worship, Jesus passa a mão num chicote, revira as mesas dos senadores, e protesta sozinho contra a hipocrisia e a robalheira instituídas e disfarçadas pelos espetáculos idiotizantes. As igrejas querem adestrar sua juventude, apagar seu fogo. Eu adoraria incediá-los, para fazer o que podem, para serem ousados, polêmicos, arrojados!

Alguém por favor, cometa o pecado de pensar, desligue a porcaria do desfile, e vá fazer algo de realmente útil.

Por Juliano Pozati

6 pessoas comentaram »

  • jonas machado de morais disse:

    vlw cara é isso aí,vamos sair do casco,botando a cara pra fora,no poder redobrado de Elias, é claro!!!

  • Andrey disse:

    Achei a linguagem do texto muito baixa e sem foco, apesar de criticar muito e usar palavras “expressivas”, não chega a lugar nenhum. PArece ser uma crítica à igreja cristã atual, mas está muito mal fundamentada. Linguagem boa e padrão de quem faz crítica política de jornal de cidade pequena e não da Igreja de Deus. MInha opinião!
    Fica na paz!

  • Juliano Pozati (author) disse:

    Caro, considerando as atuais manchetes sobre o que se convencionou chamar “igreja de deus”, sinto-me elogiado por não lhes parecer comum.

  • Juliano Pozati (author) disse:

    A propósito, o texto fala de “espetáculos idiotizantes”, tipo Carnaval e Show da Fé. Ver ref. em Douglas Kellner. Media Culture and the Triumph os the Spectacle em The Spectacle of the Real, Geoff King, Ed. Bristol, (UK): Intelect Books, 2005.

    “Para Debord, o espetáculo é uma ferramenta de pacificação e de despolitização; é uma ‘guerra do ópio permanente’, que estupidifica os agentes sociais e distrai-os da tarefa mais urgente da vida real. O conceito de Debord de espetáculo está intimamente relacionado aos conceitos de separação e passividade, pois em espetáculos consumidos passivamente o espectador é alienado de produzir ativamente a sua própria vida”

    Douglas Kellner – Media Culture and the Triumph os the Spectacle

  • Andrey disse:

    Ok! Então deixa claro o que vc quer dizer com “marasmo santificador do tédio” seria: “orar, jejuar, ir ao acampamento da igreja, ler a Biblia”? eu acho que tudo isso é útil aliado às ações, obras etc.
    BOm se tem ações não tem tédio né…talvez seria isso que sua linguagem paulina disse e eu não tenha entendido no começo.
    Qual seria pra você o papel inteligente da igreja nos tempos de carnaval?
    Aliás vc critica a Igreja de Deus (no conceito bíblico), ou contra as “robalheira instituídas e disfarçadas”? O que tem a ver para nós Cristãos o carnaval e Brasília? não vi muita relação…
    Quando Jesus pega o chicote, ele está purificando o Templo, a casa de Deus dos que faziam comercio em nome de Deus ( que aliás se vê muito hoje em dia); e não foi por exemplo protestar contra os reis instituídos daquele período, o negócio dele era com a igreja e não com as instituições governamentais do mundo.
    Fica na paz!

  • Juliano Pozati (author) disse:

    Então Andrey, as vezes penso que nossos acapamentos nos fortalecem e tal, como você citou. Mas penso que ser “IGREJA” tem menos a ver com o que acontece entre o começo do culto e o fim, e mais a ver com o que acontece entre o fim do culto até o começo do outro. Ou seja, dia-a-dia.

    O grande lance do Carnaval e de outros “espetáculos” – futebol, etc – é que eles servem para nos destrair da vida “real” – como teoria o Debord. E são quase sempre muito bem utilizados pelas lideranças políticas para maquiar suas ações e distrair a opinião pública. Para mim, lugar da igreja é na rua, com o pé no caminho.

    A Igreja de Deus é Santa e todos fazemos parte dela, no Espírito. Nossas instituições e CPNJ são outros problemas. Chamei de “porcaria” nossos CNPJs Estatutos e “Zé-cutivos”, quase sempre vendidos a máquina política e institucional, aos favorecimentos e e verbas, e ainda assim se acham “super crentes”. O que igreja tem a ver com Brasília? Na atual conjuntura, a espelhamos em nossos bastidores institucionais, infelizmente.

    Concordo em partes sobre o protesto de Jesus que você citou. Acho que é isso também. Mas não só. O protesto de Jesus é contra a corruptibilidade do ser humano, que chegou até mesmo ao perímetro do templo com uma hipocrisia disfarçada de virtude. Mas ora, se hoje nós é que somos os templos do Espírito, seria errado dizer que Jesus protestaria em Brasília? Não sei…

    A propósito, você já leu “A Cabana”? Por estas poucas linhas que trocamos, acho que você iria gostar. Veja em http://www.duasasas.com/2010/02/a-cabana/

    Um abração… Fica com Deus.
    Ps. Sinta-se livre para continuar o papo…! ;-)

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