Parece pegadinha, mas não é!
Nesta semana que passou eu participei da Expo Cristã 2009, a maior feira de “produtos para cristãos” da América Latina. Além de sua fama, a Expo já faz parte do calendário oficial de São Paulo. Apesar de grande parte da feira estar “loteada” para igrejas da prosperidade, acho a iniciativa muito interessante e pertinente, uma vez que o segmento precisa de relacionamentos para seguir expandindo, e feira é o lugar/evento ideal para isso. Aliás, conheci pessoas fantásticas, cabeças pensantes do cristianismo moderno que, de uma forma ou de outra, estavam participando do evento, ao lado de grandes editoras.
Mas… (e sempre tem um “mas”) para variar, entre um stand e outro, encontrei algumas “bizarrices” que, se me contassem, eu não acreditaria. Alias, nem você, que lê este blog, não acreditaria se não fosse a foto mal tirada pelo meu celular.
Imaginem vocês que, entre mil bobagens, amuletos, réplicas, óleos, cuecas magnéticas e afins; encontrei um stand vendendo um “Chifre de Cordeiro para Unção” – vindo diretamente de Israel, é claro. “Mas espere, não é só” já diria o infame locutor do PoliShop. Havia ainda um versículo Bíblico para ajudar o confuso consumidor a entender para que raios servia o tal do chifre: 1Samuel, 16:13:
“Samuel apanhou o chifre cheio de óleo e o ungiu na presença de seus irmãos, e, a partir daquele dia, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. E Samuel voltou para Rama.”
Parece pegadinha, mas não é!

Infelizmente, não é. Seria cômico se não fosse trágico. Os evangélicos sempre criticaram os católicos por seus amuletos, imagens e superstições. Mas agora, fazem pior. Em nome de um simbolismo falido que caricatura a relação com o divino, o sujeito inventa produtos patéticos que se propõem a fazer o que o FILHO já faz, gratuitamente, desde que voltou glorioso para o PAI: Derramar o ESPÍRITO SANTO sobre toda carne, conforme a profecia do livro de Joel.
“O Vento sopra onde quer!” Já não existe condenação pela Cruz e Ressurreição. Muito menos limites de câmaras ou templos para o Espírito de Deus, que agora habita o coração de todos os que crêem. Aliás, “nele nos movemos, cremos e existimos” como nos lembra Paulo, em Atos 19.
Então minha gente, alguém se habilita em tentar responder para que serve o raio do chifre do cordeiro? Aliás, Cordeiro não tem chifre, afinal cordeiro é o filhote ainda novo do Papai Carneiro com a Mamãe Ovelha. Não tem chifre na história. A menos que a Mamãe Ovelha tenha aprontado alguma, mas isso é conversa pra cordeiro dormir.
Do confuso, e ainda estarrecido amigo,
Juliano Pozati
A foto da cueca foi cedida pelo inestimável, incomparável, salve-salve, Décio Figueiredo.









Juliano,
Te dou parabéns pela coragem de frequentar a tal feira. O próprio evento eu já considero uma bizarrice.
Estes senhores estão coisificando o divino e divinizando as coisas.
Lamenta-se que multidões de incautos os acompanhe.
Resta-nos apresarmos para a exposição verdadeira da Palavra de Deus.
Hermes
É pastor, é chocante! Mas garimpando bem, ainda é possível extrair proveito e encontrar “cabeças pensantes” do cristianismo atual. Ainda que raras, elas não foram totalmente extintas!
Acho o simbolismo uma coisa muito importante, e bonita. O simbolismo é pedagógico … condensa em si diversos significados e a assimilação da graça que ele representa é facilitada. A liturgia é cheia de símbolos que, para quem compreende, nos aproxima de Deus.
O perigo está em valorizar o símbolo como meio pelo qual a graça acontece, uma vez que Deus não depende, de forma alguma, de nenhum objeto para nos alcançar. Nós é que podemos sentir de forma diferente o toque de Deus através de um objeto. Já que este aguça nossos sentidos humanos, visão, tato, etc. Assim como a musica, pela audição, nos transporta à presença de Deus.
É preciso ter claro que o chifre (ou seja lá qual for o objeto) não é uma via da graça, não tendo nada de especial em si. Mas o homem tende para a idolatria, tende para a mágica, tende para aquilo que é mais fácil e exige menos protagonismo humano. É melhor jogar a responsabilidade da graça no chifre, é como comprar indulgências, pratica medieval que acontece hoje com outra roupagem, seja no catolicismo, seja no protestantismo.
Nunca fomos tão medievais neste pós-modernismo!
Quem sabe deveria ter uma placa dessas na entrada da feira com os versículos de Mateus 21:12-13
12 Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas,
13 e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração, mas vós fizestes dela um covil de ladrões
Poderíamos tentar entender que os símbolos vêm para esclarecer, não entreter, nem comover, nem vender, e tampouco para aparecer na vida cotidiana de ninguém, símbolo e simbolismo são o meio de esclarecimento para aqueles que não entendem o que Deus realiza, basta dizer que a bíblia já tem por se só muitos símbolos e não precisamos copiá-los ou expressa-los basta o que JÁ ESTÁ ESCRITO, os únicos que desejam símbolos para pegar e ver são duas espécies: os espíritos malignos, e os apedeutas, um dos pontos da reforma que foram cruciais era a luta contra a venda de indulgências, pague para ter um pedaço do céu, compre um atestado de espiritualidade do seu parente falecido, a sua oferta pode ajudar na sua espiritualidade, infelizmente uma igreja que se propõe em não estudar a história do cristianismo (o que é não é muito raro) está pré disposta para usar estes símbolos de uma forma bem leviana, os meios justificarão o fim, uma igreja pensante (digo pessoas salvas) estará sempre reformando seu pensamento, não precisamos de um colóquio flácido para acalentar bovinos e assim enganar os menos esclarecidos, mas precisamos sim o que nos leve e eleva a Deus em Cristo que é a nossa fé, Romanos 3:24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a palavra justificados no grego dikaiow dikaioo dik-ah-yo’-o segundo Strong tem um significado aproximado de: ser livre de uma pena,ser considerado integro,um pronunciamento de liberdade,parece (gostaríamos de estar enganados ) que estarmos vivendo um retrocesso da história eclesiástica muito diferente quando Eusébio de Cesárea relata que muitos Cristãos morrerão por não derramar o vinho diante das imagens de esculturas(simbolismo),ou até mesmo como Atanásio declarou : Haveria tempos que os homens de ouro serviram a ceia em cálices de madeira, e depois homens de madeira serviriam a ceia em cálices de ouro(simbolismo escrito?),congratulo e parabenizo o Juliano por estar na contramão da onda por uma mente reformada sempre se reformando e pela coragem de mostrar que o emocionalismo do sagrado pode nos levar a atos esdrúxulos.
Cristo o abençoe.
Triste… muito triste.
Se tem fotografia nos sentimos na obrigação de acreditar – agora entender, explicar????? Mas pensei e cheguei a uma solução – já que eles mencionam o texto “Samuel apanhou o chifre cheio de óleo e o ungiu na presença de seus irmãos, e, a partir daquele dia, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. E Samuel voltou para Rama.”
o jeito é radicalizar e usar a SOLUÇÃO DE SAUL – QUE CONSULTOU A MÉDIUM DE En-Dor e foi “falar” com o falecido Samuel – Quem sabe ele sabe explicar???? KKKKKKKKK!!!!!!!!!!!!
Amigo Djalma, já dizia o poéta que gosto tanto de citar: E, oh oh, vida de gado! Povo marcado, povo feliz!
Josemar,
Realmente é só que o falta! Será que é melhor a gente apagar esse comentário pra não correr o risco de dar idéia? (risos e mais risos, pra não dizer choros e mais choros)
Apenas os cordeiros selvagens possuem chifres, que são pequenos e curvados.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d9/Muffelwild12.4.2008_007.jpg
Cordeiros domésticos não possuem chifres.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2c/Flock_of_sheep.jpg
Um shofar pode ser criado a partir do chifre de qualquer animal casher masculino da família dos bovídeos, exceto para o gado, o que é expressamente proibido.
Na prática, duas espécies são geralmente usados: O shofar dos judeus Ashkenazi é um carneiro doméstico, enquanto o shofar dos judeus Sefardi é dos antílopes Kudu.
Foto do Kudu
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/af/Male_greater_kudu_horns.jpg
Qualquer fenda ou buraco no meio do shofar afectam o som, e os torna impróprios para o uso cerimonial.
Um shofar não podem ser pintadas em cores, mas pode ser esculpida com desenhos artísticos ( Shulkhan Arukh , Orach Chayim , 586, 17).
Shofares, especialmente o shofars sefardita são muitas vezes revestida com prata, até mesmo em toda a parte do seu comprimento, para fins de exibição, embora isto os invalida para qualquer uso em práticas religiosas, apenas com simbolo religioso e da libertação nacional de Israel.
Na fabricação do Shofar, o chifre é achatado e moldado pela aplicação de calor, que para amacia-lo.
Um buraco é feita a partir da ponta do chifre natural para o interior oco.
Shofars sefardita geralmente têm uma abertura esculpida semelhante a de um trompete Europeu.
Isso é um shofar de cordeiro
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/ff/Shofar.JPG
Isso é um shofar de Kudu
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fb/Jemenittisk_sjofar_av_kuduhorn.jpg
As praticas religiosas judaicas se limitam somente ao som do shofar.
Em Isreal, o rei não precisava de uma coroa, mas de uma unção, como o rei sendo uma representação do poder maior, como simbolo da direção divina sobre Israel.
O óleo ficava em um chifre, no Tabernáculo, apenas para mostrar que se tratava de um óleo diferente, para unção real, na qual foram ungidos Davi e Salomão – posteriormente os outros reis se desviaram, e o costume foi abandonado.
No seu caso, pela foto apresentada, parece se tratar de uma falsificação bem grosseira, no melhor estilo do “jeitinho brasileiro”.
Uaaau! Que aula! Valeu pela contribuição!
ahha, o negócio é pegar o chfre e dar na cabeça dos caras.. pra ver se aprendem.
Não podemos esquecer da nossa própria cegueira do passado e atual. Vale a pena pensar um pouco nas cuecas e chifres que nos tornaram e nos tornam ainda ignorantes.
Abraço
O rio Jordão de tanta água que já tiraram dele para venda,deve ser maior que o Amazonas e São Francisco junto, pedaços da cruz de Cristo reflorestaria a floresta Amazonica tão devastada.
Mas enquanto tiver gente pagando por isso o comércio continua.
Abraços
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