Ser criativo sem perder a tradição
Recebi por e-mail esse vídeo, muito engraçado, de um casamento. Acho que inusitado cabe mais que engraçado.
Vale dar uma olhada …
Não sei se essa idéia agradou/agradaria o responsável pela cerimônia. Sei que esse vídeo me levou a algumas reflexões. Num primeiro momento, a sensação que me veio foi de banalização do sagrado. Como se um casamento fosse transformado num show de humor com propósito de entreter os convidados. A cena de entrada é típica de uma comédia romântica com a Cameron Dias. Mas depois, eu fiquei pensando que seria um julgamento leviano da minha parte, afinal eu não conheço aquelas pessoas e não sei do real significado da cerimônia para elas. Como eu achei o vídeo engraçado, tentei ir além do cômico e refletir algumas coisas.
Segundo Gilberto Safra, um autor em psicologia que gosto muito, o ser humano tem se desenraizado da ética, da estética e do sagrado. Faz-se necessário uma reconciliação. Então, tentando ver aquela cerimônia do vídeo com outros olhos, percebi o quanto ela pode ter um efeito reconciliador.
Atualmente pouco se fala em casamento. Independente dos diversos motivos, o que se observa hoje é a facilidade de poder se unir e separar. Juntar a vida a dois num apartamento é quase como se alojar numa república universitária: divertido, “dahora”, “só curtição”, mas com a segurança de saber que, quando chegar o fim daquele momento, tudo volta como era antes. Foi-se o compromisso do “até que a morte nos separe”. Não quero ter um olhar simplório sobre essa questão tão complexa. Há casos e casos. Mas, em muito deles, perdeu-se o comprometimento.
É verdade que um rito de passagem não oferece garantia de nada, é verdade também que muitas pessoas vivem os ritos por hipocrisia; e esses exemplos negativos deformaram a importância deles para sociedade, trazendo uma idéia de que, ritos são mera formalidade e, portanto, desnecessários. Que triste isso! Que triste que nos apeguemos a exemplos que não deram certo. Mas os ritos são fundamentais, eles sintetizam e simbolizam uma série de coisas, sentimentos, momentos, sonhos, etc, que aconteceram na vida do casal. É um marco que concretiza a passagem de uma fase para a outra. Um marco tão forte e com um poder incrível, armazenado na memória, guarda a lembrança de tudo aquilo que foi vivido e sonhado. Não se pode perder isso.
Aquele casal viveu esse marco. Como não os conheço, obviamente estou hipotetizando que eles foram sinceros e verdadeiros naquela cerimônia. Sendo assim, penso que, da maneira deles, aquela entrada foi sagrada sim. E, por mais irreverente que fosse, era a expressão verdadeira do desejo de que Deus abençoasse aquela nova família, mas do jeito próprio deles serem. Alguns podem, num primeiro momento se escandalizar com a dança, mas será que ela escandaliza a Deus? Deus quer nossa verdade, e o melhor de nós. O mundo está mudando, e com isso é preciso adquirir uma sabedoria que sabe conciliar passado e futuro. Não podemos bruscamente romper com nossa história, porque ela faz parte de quem somos. Mas, ao mesmo tempo, devemos ser dóceis a criatividade. Dar uma nova roupagem ao que é importante para nós. O doentio está sempre nos extremos. Ser muito rígido com a tradição, sem poder mudar uma vírgula, é péssimo, mas, tão ruim quanto, é o rompimento total com as tradições. Aquele casal celebrou o matrimônio na medida certa para eles: foram éticos porque não invadiram a liberdade de ninguém, estéticos porque deram uma roupagem moderna e irreverente para a entrada, e fieis àquilo que para eles era sagrado.
Felipe Savietto
Por Felipe Savietto















Maravilhosa conclusão.
A verdade é que somos “metamorfoses ambulantes”, e experimentamos o Divino, pleno e imutável, de formas novas a cada dia! ELE não muda. É pleno sempre. Nós mudamos a cada segundo.
Descobrir como experimentar a Deus em cada fase do nosso processo de crescimento, é a grande brincadeira da vida!
Participe escrevendo o que pensa sobre o tema!