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Perdido em Hogwarts

Escrito por Juliano Pozati 27 julho 2009 4 pessoas comentaram

harryMarcamos numa  semana dessas um café com o pessoal da igreja, numa cafeteria no Center 3 da Av. Paulista. Acabei chegando um pouco antes e aproveitei para conhecer o shopping. Pela internet eu vi que no último piso havia um cinema relativamente grande. Quando porém a escada rolante me elevava até seus últimos degraus eu me senti perdido em Hogwarts.

Com a estréia nacional do filme “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, o shopping estava tomado de fãs que compareceram a uma das primeiras seções, completamente ‘travestidos’ com os personagens do filme. Meninos, meninas, homens e mulheres com suas varinhas e capas, formavam uma enorme fila na bilheteria. Pelos corredores mais e mais pessoas pareciam usar o uniforme da conhecida escola de bruxaria, idealizada pela escritora J. K. Rowling.

Me diverti sozinho, a princípio com a cena. Depois me lembrei do que escreveu a consultora norte-americana Faith Popcorn em seu livro Popcorn Report (Relatório Popcorn), que trata de macro-tendências globais de comportamento e consumo. Faith previu no início dos anos 90 diversas mega-tendências que surgiriam a partir da mudança de comportamento das massas. Uma delas é o que ela chama de “Aventura da Fantasia”. Ela defende que, com o aumento da densidade demografia dos grandes centros urbanos, da violência e outros fatores, as pessoas tenderiam a estar mais encasuladas em suas próprias casas, preferindo programas mais reservados, caseiros. Paradoxalmente, os gêneros de “aventura” do cinema, que transportassem o espectador a outros mundos ou realidades e os fizessem viver aventuras fantasiosas seriam mais procurados, justamente por compensarem a “falta de adrenalina” no cotidiano moderno. Uma prova disso foi o sucesso de bilheteria de títulos como “O Senhor dos Anéis” além do retorno de grandes clássicos como Star Wars, Indiana Jonnes e mesmo Jurassic Park.

O fenômeno Harry Potter, antes de ser uma “obra da propaganda diabólica” como defendem alguns, é um sucesso de consumo, pois atende a uma necessidade inerente aos seres humanos da sociedade moderna. A lei do mercado é clara: Se existe uma demanda (ainda que oculta ou latente) e a oferta aparece, temos consumo. E o diabo, meus caros, não precisou mexer um dedo para isso acontecer…

Claro que, se fossem um pouquinho mais arrojadas, nossa igrejas usariam a mesma macro-tendência para criar acampamentos cheios de “adventure”, viagens missionárias envoltas num marketing de “Indiana Jones e a Última Cruzada” e ainda criariam atividades “radicais” para jovens radicais, que querem viver um radicalismo no melhor estilo de Jesus, mas nem sempre conhecem esse lado dEle, afinal seu rosto cada vez mais é coberto pela poeira da tradição legalista e igrejeira. Alias, a tradição quase sempre transforma Jesus ressucitado em uma múmia mortuária, diantanciando sua personalidade vivente daqueles que realmente carecem de um relacionamento pessoal com o divino.

Bom, mas isso não é novo. Parece que os filhos deste mundo continuam sendo mais espertos que os filhos da luz. (Lc 16:08)

Juliano Pozati

Por Juliano Pozati

4 pessoas comentaram »

  • Ângelo disse:

    Só é importante ressaltar que NÃO HÁ uma conspiração diabólica por trás de mega sucessos como Harry Potter ou O Senhor dos Anéis.

    Caro leitor (e nesse momento prefiro dizer “colega de leitura”) procure entender este artigo como um início de relfexão a respeito do direcionamento de marketing que a igreja moderna poderia utilizar e não como qualquer tipo – por mais sutil – de sugestão de que o “inimigo de Deus” se utiliza disso nos referidos títulos.

    Ângelo Amaral

  • Juliano Pozati (author) disse:

    Bem lembrado mano!

  • Vinicius disse:

    Cara, o blog é muito bom (conteúdo) e bonito (desing). Mas neste (i>post eu sinto em discordar.

    A Mesma Bíblia que diz que os filhos das trevas são mais astutos, diz que não devemos nos conformar (no original, amoldar, tomar a forma) com este mundo.

    Como naqueles filmes em que o herói quase bandido tem a oportunidade de matar o bandido quase herói e não mata, ou irá se igualar a ele.

    Sou meio (digo: meio, só um pouquinho) contra usar marketing e e outras coisas assim para a pregação do evangelho. Já fiz isto e já defendi isto e tudo o que consegui foram simpatizantes, nunca convertidos.

    Mas, concordo com 90% de tudo o que tem escrito aqui. Também sou mais um dos que estão de saco cheio com certas coisas.

  • Juliano Pozati (author) disse:

    Vinícius, bem vindo ao clube dos que “sempre discordam de algo” !!! (risos)… o espaço aqui é pra isso mesmo!

    Eu penso que o marketing deva ser usado de forma estratégica. Por exemplo, macro tendências são uma realidade… como pregar oportunamente o Evangelho através desta brecha? Entende?

    Cara, a gente não vê isso! Muita euforia.. tal.. mas nada de foco, de planejamento.. é mais neste sentido…

    Exemplo maravilhoso: Bíblia em Mangá!!! Cara… é uma ação perfeita, do ponto de vista de produto. Que moleque que não gosta de desenho japonês?

    Acho que tem a ver com “ser oportuno” que Paulo fala…

    Valeu pela participação…

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