Perdido em Hogwarts
Marcamos numa semana dessas um café com o pessoal da igreja, numa cafeteria no Center 3 da Av. Paulista. Acabei chegando um pouco antes e aproveitei para conhecer o shopping. Pela internet eu vi que no último piso havia um cinema relativamente grande. Quando porém a escada rolante me elevava até seus últimos degraus eu me senti perdido em Hogwarts.
Com a estréia nacional do filme “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, o shopping estava tomado de fãs que compareceram a uma das primeiras seções, completamente ‘travestidos’ com os personagens do filme. Meninos, meninas, homens e mulheres com suas varinhas e capas, formavam uma enorme fila na bilheteria. Pelos corredores mais e mais pessoas pareciam usar o uniforme da conhecida escola de bruxaria, idealizada pela escritora J. K. Rowling.
Me diverti sozinho, a princípio com a cena. Depois me lembrei do que escreveu a consultora norte-americana Faith Popcorn em seu livro Popcorn Report (Relatório Popcorn), que trata de macro-tendências globais de comportamento e consumo. Faith previu no início dos anos 90 diversas mega-tendências que surgiriam a partir da mudança de comportamento das massas. Uma delas é o que ela chama de “Aventura da Fantasia”. Ela defende que, com o aumento da densidade demografia dos grandes centros urbanos, da violência e outros fatores, as pessoas tenderiam a estar mais encasuladas em suas próprias casas, preferindo programas mais reservados, caseiros. Paradoxalmente, os gêneros de “aventura” do cinema, que transportassem o espectador a outros mundos ou realidades e os fizessem viver aventuras fantasiosas seriam mais procurados, justamente por compensarem a “falta de adrenalina” no cotidiano moderno. Uma prova disso foi o sucesso de bilheteria de títulos como “O Senhor dos Anéis” além do retorno de grandes clássicos como Star Wars, Indiana Jonnes e mesmo Jurassic Park.
O fenômeno Harry Potter, antes de ser uma “obra da propaganda diabólica” como defendem alguns, é um sucesso de consumo, pois atende a uma necessidade inerente aos seres humanos da sociedade moderna. A lei do mercado é clara: Se existe uma demanda (ainda que oculta ou latente) e a oferta aparece, temos consumo. E o diabo, meus caros, não precisou mexer um dedo para isso acontecer…
Claro que, se fossem um pouquinho mais arrojadas, nossa igrejas usariam a mesma macro-tendência para criar acampamentos cheios de “adventure”, viagens missionárias envoltas num marketing de “Indiana Jones e a Última Cruzada” e ainda criariam atividades “radicais” para jovens radicais, que querem viver um radicalismo no melhor estilo de Jesus, mas nem sempre conhecem esse lado dEle, afinal seu rosto cada vez mais é coberto pela poeira da tradição legalista e igrejeira. Alias, a tradição quase sempre transforma Jesus ressucitado em uma múmia mortuária, diantanciando sua personalidade vivente daqueles que realmente carecem de um relacionamento pessoal com o divino.
Bom, mas isso não é novo. Parece que os filhos deste mundo continuam sendo mais espertos que os filhos da luz. (Lc 16:08)
Juliano Pozati
Por Juliano Pozati








Só é importante ressaltar que NÃO HÁ uma conspiração diabólica por trás de mega sucessos como Harry Potter ou O Senhor dos Anéis.
Caro leitor (e nesse momento prefiro dizer “colega de leitura”) procure entender este artigo como um início de relfexão a respeito do direcionamento de marketing que a igreja moderna poderia utilizar e não como qualquer tipo – por mais sutil – de sugestão de que o “inimigo de Deus” se utiliza disso nos referidos títulos.
Ângelo Amaral
Bem lembrado mano!
Cara, o blog é muito bom (conteúdo) e bonito (desing). Mas neste (i>post eu sinto em discordar.
A Mesma Bíblia que diz que os filhos das trevas são mais astutos, diz que não devemos nos conformar (no original, amoldar, tomar a forma) com este mundo.
Como naqueles filmes em que o herói quase bandido tem a oportunidade de matar o bandido quase herói e não mata, ou irá se igualar a ele.
Sou meio (digo: meio, só um pouquinho) contra usar marketing e e outras coisas assim para a pregação do evangelho. Já fiz isto e já defendi isto e tudo o que consegui foram simpatizantes, nunca convertidos.
Mas, concordo com 90% de tudo o que tem escrito aqui. Também sou mais um dos que estão de saco cheio com certas coisas.
Vinícius, bem vindo ao clube dos que “sempre discordam de algo” !!! (risos)… o espaço aqui é pra isso mesmo!
Eu penso que o marketing deva ser usado de forma estratégica. Por exemplo, macro tendências são uma realidade… como pregar oportunamente o Evangelho através desta brecha? Entende?
Cara, a gente não vê isso! Muita euforia.. tal.. mas nada de foco, de planejamento.. é mais neste sentido…
Exemplo maravilhoso: Bíblia em Mangá!!! Cara… é uma ação perfeita, do ponto de vista de produto. Que moleque que não gosta de desenho japonês?
Acho que tem a ver com “ser oportuno” que Paulo fala…
Valeu pela participação…
Participe escrevendo o que pensa sobre o tema!
DuasAsas.com na Internet
Nuvem de Tags
admirável ajuda amor bíblia brasil capitalismo china comunismo corrupção cotidiano criança crise cristianismo deus ed rené kivitz engraçado esperança fé felipe savietto filme gado graça hillsong Humor igreja jesus juliano pozati jundiai livro música marketing mundo cristao natal new novo razão são paulo senado Sofrimento teólogia Vaticano verdade vida world Ziza Fernandes
WP Cumulus Flash tag cloud by Roy Tanck and Luke Morton requires Flash Player 9 or better.
Google Translate
Categorias
DuasAsas.com
Calendário
Nosso Baú
Páginas
O que temos escrito
os mais comentados
Comentários