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Dois já é demais!

Escrito por Juliano Pozati 2 julho 2009 Uma pessoa Comentou

Na madrugada de 31 de maio, um Airbus, modelo A330 da Air France, que partiu do Rio de Janeiro em direção a Paris, caiu sobre o Oceano Atlântico, matando 228 pessoas. Na madrugada de 30 de junho outro Airbus, A310 da companhia Yemenia Air; caiu nas proximidades das ilhas Comores, no Oceano Índico, com 153 pessoas a bordo. Até que eu concluísse este artigo, apenas uma menina de 14 anos conseguira, como que por um milagre, escapar com vida desta tragédia.

Dois aviões, da mesma marca, em menos de um mês, sendo que no intervalo destes dois acidentes tivemos ainda um pouso forçado. Coincidência? Boicote? Ira Divina? Ação do diabo? De repente um pouco de cada coisa.

airbus

Para mim, o epícentro desta “crise aérea” continua sendo o ser humano. Nos últimos 15 anos o mercado de aviação civil deu a largada de uma verdadeira corrida por consumidores. Nesta disputa, impera a lei da oferta e da procura, sendo que para estimular a procura é preciso aumentar a oferta. Como aumentar a oferta? Ofertando mais, intensamente, mais vezes,  mais barato!

Tome por base a redução drástica do serviço de bordo, dos jantares executivos de outrora, agora reduzidos a barrinhas de cereais. Numa guerra por preços, corta-se o que se tem pra cortar. E como diz a Vanessa, minha esposa: “Ninguém faz milagres! Se algo está muito barato, desconfie, pode sair caro”.

Este é um prejuízo que não estamos pagando só com a vida destas pessoas que se perderam nos desastres. Pagamos todos os dias quando aceitamos a qualidade inferior pelas alterações genéticas e crescimento acelerado no processo produtivo da carne que consumimos , quando ficamos com as frutas “para mercado interno” e vemos as melhores sendo taxadas com “tipo exportação”, quando abastecemos com gasolina “batizada”, quando perdemos o dedo no porta malas do carro, até mesmo quando fingimos que os atos secretos da manchete do jornal são com o Senado da Terra do Nunca, e não do Brasil onde vivemos.

O que falta no processo macro-econômico, no processo produtivo, no processo democrático e de consumo é o mesmo fator: consciência ética e pró-ativa. Consciência de quem faz, de quem vende e de quem compra, de quem governa. Quando coisas valem mais do que pessoas, consciência parece que passa a ser item opcional. Mas numa “fábrica de pensadores cristãos” é item obrigatório e de série!

Juliano Pozati

Por Juliano Pozati

Uma pessoa Comentou »

  • Bernadete disse:

    Infelizmente o homem precisa de tragédia para parar para pensar. Espero que a inversão de valores seja um caminho com volta.As vidas que foram perdidas são irrecuperáveis, mas futuras podem ser salvas.Espero que mais pessoas reflitam sobre os últimos fatos e que estes não tenham sido apenas mais uma manchete.Acredito que o lucro final do mundo empresarial não precise ser atingido através do preço de vidas, pois assim o mundo se torna inviável.
    Bernadete

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