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Cárcere da obediência

Escrito por Felipe Savietto 19 julho 2009 5 pessoas comentaram

vera-amarrasCerta vez, alguém que eu conheço, muito furiosa com uma outra pessoa, me disse assim: “Se eu não fosse cristã, eu mataria ela!”. Desconsiderando as reais intenções desta fala e ignorando a profundidade daquela situação, tomarei literalmente o pensamento acima para uma breve reflexão. Para uma pessoa que realmente pensa assim, o cristianismo ainda não produziu efeitos significativos. Já falei um pouco sobre isso na minha última postagem e quero retomar agora. Vamos imaginar que você receba uma revelação e descubra que não existe nenhuma vida após a morte, que tudo se resume a isso que vivemos e depois, no fim, o nosso destino é simplesmente deixar de existir. A partir dessa perspectiva, faço a seguinte pergunta a todos nós – O que você mudaria no seu jeito de ser e agir? É possível desmembrar esse questionamento de forma que ele faça mais sentido para cada um em questões específicas. Você usaria drogas? Romperia seu casamento para sair com outras pessoas? Deixaria de pagar seus impostos? Se tornaria mais agressivo? Soltaria palavras duras que estão trancadas em seus pensamentos? Acredito que tua própria experiência de vida pode clarear quais questionamentos que para você são mais significativos nesse momento. Faça esse exercício!

Retomando aquela perspectiva, penso, que se qualquer detalhe mudasse no nosso modo de ser, ou agir, é porque a verdade do evangelho ainda não se tornou totalmente verdade para nós. Para muitos, o evangelho é uma forma de corrente que aprisiona e impede que certos comportamentos e pensamentos negativos venham à tona. Porém essa não é a proposta de Jesus. Temos que proceder segundo o evangelho por liberdade. Ele nos propõe a liberdade e não a prisão. Se seguir a Cristo nos aprisiona, é porque ainda não nos deixamos transformar pelo amor dEle. É nesse processo que precisamos entrar. Talvez, quando conhecemos Jesus entramos em contato com uma vida que ainda é estranha para nós, mas que desejamos vive-la, por isso fazemos o esforço para mudar de vida e, assim, deixar as obras más para trás. Essa mudança acontece por obediência a palavra. Esse é apenas o primeiro passo e o mais fácil. Num segundo momento, precisamos deixar que nossa fé transforme aquilo que somos. Isso é árduo, lento e pra vida toda. Mas é nesse exercício que aparece a real ação de Deus nas nossas vidas, levando-nos da obediência à naturalidade.

Não quero, com essa reflexão, levar a idéia que obedecer é ruim. Se não entrarmos pelo caminho da obediência, nunca  chegaremos  a liberdade. A obediência saudável é espontânea e nunca uma agressão.   Lembremo-nos  que Jesus nos chama de amigos e não de servos. (João 15, 14-17)

Oro a ti, nosso Deus, para que a Tua graça nos invada e nos transforme. Que diariamente nos aproximemos daquilo que verdadeiramente somos e que se encontra guardado em Ti. Que nosso modo de ser e agir seja espelhado nos seu, Jesus, e que seja tão verdadeiro isso em nós, que nada possa abalar nosso proceder. Que o evangelho seja nossa liberdade e não cárcere. Amém!

Felipe Savietto

Por Felipe Savietto

5 pessoas comentaram »

  • Ângelo Amaral disse:

    Um amigo meu costuma dizer que você precisa passar por dois extremos para encontrar o meio termo.

    Acho que isso vale tanto para o conflito entre fé e razão como para a questão entre liberdade e obediência.

    Excelentes textos, meu caro!

  • roger gonçalve disse:

    vc tem dicernimento no que escreve! isso é ser guiado pelo Espirito de Deus, que nós possamos ter um coração conforme a vontade de Deus e assim como vc neste estudo possamos levar as pessoas sobre a verdade sobre amar a Deus e não somente servi-lo

    Deus te abençoe em Jesus Cristo

    obrigado pelo estudo

    A paz do Senhor

  • MCatólica disse:

    Felipe, obrigada por se deixar guiar pelo Espírito Santo…que muitas pessoas possam ler e ter o discernimento que o texto sugeri.

  • PAULO DIAS DE SOUZA disse:

    A PAZ DE CRISTO !
    li este texto no memomento certo , pois nesta tarde pensava exatamente nesta questão , e andando na rua conversava com Deus em voz alta e repetia ” Senhor quero Sequir -Te , mas dentro de mim ainda existe o desejo do pecado ” E sentia q Deus me dizia so uma frase ” Te Amo meu filho ”
    Parabéns Felipe por esta materia, me ajudou muito , e com certeza vou envia-las a outras pessoas !

    Abraços ! Paz e Bem !

    PAULO DIAS ( CATEQUISTA)

  • Jennifer-Tool disse:

    necessario verificar:)

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