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Lições de um dia Paulistano

Escrito por Juliano Pozati 19 junho 2009 3 pessoas comentaram

Tirar lições de coisas simples, do nosso contidiano, é um excercício que todos nós do duasAsas.com sempre enfatizamos em nossos artigos. Deus é um comunicador constante. É de sua natureza a comunicação do seu amor pela humanidade e sua expectativa de nosso crescimento. Para ouví-lo é preciso apenas se dipor, quero dizer disponibilizar o coração. Não precisamos dizer “Fala que eu te escuto!”, pois Ele sempre fala, nós é que nem sempre escutamos.

Aconteceu comigo esses dias, na mais caótica das situações. Moro próximo ao Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o famoso Estádio do Morumbi. Visitei um cliente no centro de São Paulo e saí próximo a hora do rush para ir para casa. Mas o detalhe que eu não esperava é que justamente naquele dia haveria jogo, e a “sampaolinaiada” toda resolveu ir.

01649477100

Para o percurso que geralmente consome 40 minutos, acabei levando quase 3 horas para completar. Já ouviu o termo “paciência de Jó”? Pois bem!

A pior parte é estar preso no congestionamento dentro de um túnel. Com o trânsito realmente parado as pessoas começam a se enfurecer,  e com a fúria vem as buzinas! Buzinas prolongadas, toquinhos, uma verdadeira sinfonia infernal.

Me corrijam os psicólogos de plantão, mas a raiva, a furia me parecem uma forma de externalizar uma decepção com o mundo, com o outro ou consigo mesmo. É um jeito de “‘por pra fora”. Decepção porque queria chegar cedo em casa e não vai poder; decepção porque vai se atrasar para um compromisso, um encontro; decepção por ter feito aquele caminho, aquela rota. Aí, decepcionada, a pessoa se zanga, se enfurece, buzina, grita, bate a mão no volante, fala palavrão. Sou réu confesso: já fui assim, e as vezes tenho recaídas!

Mas neste dia especificamente notei e aprendi o seguinte: depois que a sinfonia de buzinas parou por um breve momento (depois de quase 40 insuportáveis e ininterruptos segundos) eu olhei ao meu redor. Ninguém andou sequer um milímetro a mais ou a menos por causa das buzinas. Aquilo simplesmesmente não fez a menor diferença diante do fato de estarmos todos “engarrafados”. Foi completamente inútil! A única diferença é que com as buzinas todo mundo ficou mais irritado, mais estressado, e ainda por cima com dor de cabeça. A raiva uma vez “socializada” naquele ato de externalização, só gerou mais raiva, num ciclo vicioso que em nada contribuiu para o verdadeiro problema que era o trânsito.

Conclusão: A raiva e as buzinas não levam a nada! Sequer tiram você do lugar. As vezes esbravejar alivia a tensão. As vezes precisamos dessa válvula. Mas a verdade é que depois que “surtarmos” ainda teremos o mesmo problema, ou a mesma decepção, no mesmo lugar, esperando que com auxilio da Graça do Espírito Santo,  o resolvamos. Queridos, bem vindos ao Clube dos que deixaram de acreditar em Papai Noel. Esbravejar e achar que o problema se resolverá sozinho já não te pertence mais!

Juliano Pozati

Por Juliano Pozati

3 pessoas comentaram »

  • Felipe disse:

    Na verdade acho que esse aprendizado pode-se estender para inúmeros outros. Tem situações na nossa vida que são inevitáveis, ou seja, não temos absolutamente nenhum poder de comando sobre elas. Dessa forma, já que vamos passar por ela, nos resta escolher como vamos passar. Nesse caso poderiam ser 3 horas de pura raiva … ou tres horas de uma outra forma mais criativa e saudável. Concordo que não é fácil, mas é aprendizado. Já que tá no inferno, abraça o capeta. Já que ão tem jeito, vive o momento, não tenta fugir do inévitável, porque é energia gasta sem benefícios, como buzinas inúteis que só causam mais desconforto. Se a gente só buzinasse no transito estava ótimo, o pior são as vezes que a gente fica buzinando dentro de nós.
    Foi interessante esse post, pra mim que sou do interior hehehe usei como metáfora para outras questões da minha vida.

  • || DUAS ASAS || O Vento sopra onde quer! » Blog Archive » O tempo de cada um disse:

    [...] como no artigo Lições de um dia paulistano, onde ficamos buzinando e esperamos que isto faça o trânsito andar, mas só conseguimos uma dose [...]

  • Ferreira disse:

    O exercício das lições do cotidiano é o um grande diferencial para quem não quer ser simplesmente “dominado” ou “tragado” pelo cotidiano já existente ao nosso redor.
    Se nos exercitamos com ele , com certeza nos tornamos melhor preparados para encará-lo dia a dia …

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