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Sobre fracassos e vitórias!

Escrito por Felipe Savietto 8 maio 2009 Seja o primeiro a comentar

Eu não sei vocês, mas eu constantemente volto numa antiga reflexão sobre a produtividade da minha vida. Acho que é um processo natural e saudável. E ultimamente tenho tomado contato com pessoas, na verdade amigos, que estão sempre trazendo discussões a respeito do fracasso. Não com essas palavras, mas com esse significado implícito. Penso ser esse um medo que ronda todos nós.

Nossa sociedade apresenta mudanças muito rápidas, no melhor estilo fast-food de ser e oferecer serviços. Tudo gira muito, se renova muito e em tudo se tem pressa. Mas dentro de nós as coisas não caminham na mesma velocidade do mercado. Já exigi tantas mudanças em mim, mas apenas consigo percebê-las depois de muito tempo de luta silenciosa. Não dá pra exigirmos prazos ou aplicarmos uma metodologia que garanta resultados num tempo determinado. Hoje eu me sinto na eterna escola da paciência, aprendendo com os conselhos de Jesus que estão no capitulo 6 do evangelho de Mateus, que, resumindo em apenas 1 versículo, diz assim: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo”.

Pensando nessas questões, lembrei-me de algo que li (nem lembro quando) no blog do Maninho (Mário Luiz Cardoso), musico e médico lá do Rio Grande do sul. Esse gaúcho que, com seu talento, tantas vezes me levou pra Deus, certa vez entrou em crise e resolveu desabafar no blog dele. Como uma pessoa como o Maninho pode estar questionando coisas tão semelhantes as minhas? – Pensei na época. Talvez todos nós estejamos num constante processo de humanização. Encarando limites e possibilidades. Conciliando sonhos e obstáculos. Encarando defeitos e adquirindo virtudes. Vencendo a vontade de desistir e reconhecendo o que vale a pena de verdade.

Mas não quero falar muito sobre isso. Vou colocar abaixo exatamente o que ele escreveu. Dá pra perceber a dor que ele quis transmitir. E se você não perceber a dor dele, pode no mínimo observar o que a leitura faz ecoar dentro de você. Coloco logo em seguida uma resposta muito sábia postada pela Ziza Fernandes.

Talvez o maninho nunca saiba como a musica, ou os escritos dele me levam pra Deus. Assim como talvez nós nunca tenhamos noção do quanto Deus nos usa e do real significado de nossas vidas. Só não podemos estacionar. A crise tem que nos mobilizar à algo. Tempos depois de todo esse desabafo que vocês vão ler, surgiu um CD dele chamado “Feito de escolhas”. Fruto que na época era apenas semente.

Talentos…

Não posso querer culpar alguém pelos meus fracassos. Ninguém é responsável pela imensa quantidade de fatores que me levam a ser um fronteiriço dentro do meio musical no qual trabalho.

Trabalhar correndo por fora não é fácil, e nunca ouvi que assim o seria.

Nos últimos tempos tenho achado que Deus talvez não queira mais o tipo de música que eu faço, ou o tipo de assunto que escrevo. Talvez ele queira outra coisa de mim, ou talvez Ele não queira nada de mim.

Não posso ter a pretensão de achar que Ele precisa das minhas coisas, dos meus escritos, das minhas notas, mas sempre achei que em todos os momentos que me esforcei pra achar a palavra certa, com a nota certa, Ele estava por trás de tudo isso. É muito difícil me ver na posição contrária da parábola dos talentos, em que tento com todas as minhas forças desenterrar o que há de mais bonito em mim, pra depois me perguntar: para que?

“Que o talento seja luz para brilhar pelo mundo, pra dar sabor para as coisas; se o talento vem de Deus, nunca há de se ocultar…” é um trecho da música chamada Talentos, do meu amigo Grecco. Cantei essas palavras várias vezes. Talvez não mais acredite nelas.

Todo mundo tem planos para o futuro. Um dos meus favoritos era ficar velhinho, com os dedos gastos do atrito com o piano, quebrando a cabeça para encontrar o acorde perfeito, na melodia mais requintada, que combinasse com o Deus maravilhoso que eu cantava. Para que? Para quem?

Estou cansado, e minha arte agoniza pela falta de interesse de quem pode mostrá-la. Fiz tudo que pude, e minha espera alcança um tempo tão precioso que chego a duvidar que Deus possa interferir nesse processo doloroso.

Tomei algumas decisões. Se minha música não estreita minha relação com o Divino mas me distancia Dele, talvez seja a hora de me perguntar se meus planos para o futuro devem mudar.

Resposta de Ziza Fernandes …

Meu querido amigo gaudério..

Li umas dez vezes seu desabafo…

Eu teria mil coisas a lhe dizer, com carinho e admiração profunda por sua exposição e sinceridade, mas depois de pensar bastante, resolvi ler outras vinte vezes a resposta do seu pai… Chorei. Chorei muito! Que beleza de pai você tem, rapaz! Há privilégios que estão muito perto e a gente não vê. Gostamos de ouvir e queremos ouvir o que os outro não têm a nos dizer… e aqueles que carregam a verdade nua e crua é difícil de entrar em nós. O ser humano sempre me surpreende…

Lembro-me de um velho amigo daqui de Curitiba, que hoje mora em Silver Spring nos USA, num “apertamento” em todos os sentidos, mas em busca do seu sonho: ser filósofo. Você imagina como viveria um “filósofo”no Brasil? rsrsrs Num país onde até o “Clodovil” se elege como deputado? Pois é… É bem mais difícil do que música religiosa. Sabe o que ouvi do meu amigo? Ele me disse assim: “Zi, meu sonho é deixar pequenas marcas no mundo, mas que as pessoas possam reconhecê-las somente depois que eu tenha morrido ( … ). Se reconhecerem mesmo, o que fiz foi bom, belo e verdadeiro para este tempo da humanidade, se as marcas não servirem, fiz o meu dever, gastei minha vida com o que eu amava, fui fiel a mim mesmo e consequentemente a Deus, e isso basta. O mérito desta terra não me interessa e não deve me interessar, passa. Mais alem disso, é vaidade.” É nisso que acredito, querido. É isso que busco para minha alma errante e vaidosa, que me dá um trabalho danado! Não desisto! Andar contra a corrente é bíblico e fazer frutificar os talentos não é ter sucesso com eles, é ser fiel secretamente à dedicação que eles me exigem. Sem essa dedicação, eu perderia minha alma, É pra isso que os talentos existem: para me ajudarem a conduzir minha alma!

Pense profundamente em qual é o seu desejo mais profundo e o que realmente te frusta. Veja se, depois de mapear seu coração e ter contado toda a sua história de música religiosa pra você mesmo, o descoberto é realmente digno da sua frustração. Olhe para o eterno, para a vida eterna e veja todas as possibilidades que você tem na mão aqui e agora e que você levaria com você pra lá… Descubra o que você realmente ama e pague o preço por fazer apenas o que você acredita, da forma que você acredita, com as pessoas que você acredita, mesmo que o preço seja uma suposta solidão “profissional”. E me atrevo a dizer que ela é sentida apenas em você pois na verdade dos fatos ela se torna irreal, e você sabe que na verdade  há pessoas com você. Há mesmo… Mas pode ser que o sentimento seja duradouro e a fidelidade ao que você acredita tenha que se desligar do sentimento. Sentimento engana… Ouça a verdade que já pulsa no profundo da sua alma.

“Faça-se”, foi a palavra da Virgem mais corajosa que já ouvi falar. Faça você também! Se as portas não estão abertas, coloque a sua mão no trinco das portas e abra, sinta o gosto da tentativa. O homem que vive em você precisa estar lá pra sentir o doloroso “não” ou o alívio do “sim”. Mas abra! É a sua vez. A história é só sua!

Estou por aqui…

Te amo mais do que você imagina!

Milhões de beijos…

Zi

Por Felipe Savietto

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