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Toda Ilíada tem sua própria Odisséia

Escrito por Ângelo Amaral 16 abril 2009 Uma pessoa Comentou
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Seguindo a linha de reflexão à qual esta semana naturalmente nos direcionou, lembrei de um artigo que escrevi em março de 2008.

 

O texto traça um paralelo entre as peripécias de Ulisses na mitologia grega e os desafios que toda pessoa enfrenta ao longo de seu crescimento. Hoje olho para ele sob uma ótica diferente, onde aquilo foi justamente o que moldou Ulisses para ser o rei de Ítaca.

 

E assim, as nossas peripécias diárias nos conduzem a novos caminhos, onde a nossa impaciência nos impede de ver o horizonte e nosso medo de errar nos impede de compreender a beleza das praias nas quais somos lançados.

 

Este texto foi publicado originalmente no blog Reino Desencantado:

 

Sobre as Ilíadas e Odisséias

 


Ulisses: o sujeito foi para a guerra de Tróia e lá ficou 10 anos.
Não foi arrastado por ninguém e sabia o que vinha pela frente. Sabia que o muro era considerado impenetrável, mas ficou lá, atacando.

 

Ataque após ataque ele via o muro ali, imponente.
Qual não devia ser a alegria dele ao ver um pedaço caindo? E se fosse uma pedra grande então, ou uma torre? Derrubar uma torre pode evitar um monte de flechas.

 

Mas ainda assim, era impossível dizer “vencemos”. Ulisses se reinventou. Reinventou a guerra. Pensou no famoso cavalo e passou pela muralha.

 

Quem acreditaria que aquele reino pudesse ser invadido? Quem apostaria que aquele sujeito pudesse passar pelo muro?

 

Ok, fim da Ilíada. Tróia foi tomada, hora de voltar para casa.
Mas nessa altura do campeonato, um capricho divino impediria o barco de Ulisses de voltar a Ítaca. Início da Odisséia.

 

Ulisses passaria mais 10 anos no mar, antes de rever sua terra.
Ultrapassar o muro foi apenas a metade do caminho e após isso, ele poderia simplesmente ter morrido, sem nunca retornar.

 

E talvez seja isso que tornou Ulisses um dos maiores heróis da mitologia. Não o fato penetrar o muro, mas sim sobreviver às dificuldades que vieram depois disso.

 

Por mais que tenha demorado, ele voltou para casa.
Saber esperar é um dom. Saber olhar para a frente, celebrar cada pequena vitória, cada pedra que cai e cada remada no caminho de volta.

 

Sejam meses ou décadas, todo homem enfrenta seus muros e seus mares. Todo Ulisses tem sua própria mitologia e toda Ilíada tem sua própria Odisséia.

 

Ângelo Amaral
Por Ângelo Amaral

Uma pessoa Comentou »

  • || DUAS ASAS || O Vento sopra onde quer!» Blog Archive » Reinvente-se disse:

    [...] Ao longo desta semana, tivemos uma amostra “interessante de que o vento sopra onde quer”. Sem qualquer planejmento, alguns artigos que escrevemos se complementaram, ficaram interligados de forma interessante.  A coisa toda começou em A Mágica do Simples. Depois o assunto foi bem definido pelo Ângelo em seu artigo Sobre o juízo e as coisas de criança. Aprofundamos com a Vanessa em Renascer na fase adulta e novamente o Ângelo complementou o pensamento em Toda Ilíada tem sua própria Odisséia. [...]

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