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Ruanda nossa de cada dia

Escrito por Felipe Savietto 4 abril 2009 3 pessoas comentaram

O ser humano clama por ajuda. Não há dia sequer, em que não se entre em contato com a degradação da vida, que, tão drasticamente, aparece estampada diante dos olhos. São os destaques no jornal, as pessoas no semáforo, as notícias no telefone, etc. Qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade e empatia já se perguntou sobre o que fazer para ajudar. A situação é tão crítica que as vezes é melhor fechar os olhos e viver no próprio mundinho, como se não houvesse nada lá fora.

Ficar alheio aos problemas, não necessariamente é fruto de descaso ou falta de compromisso, mas por vezes, sinal de cansaço e preservação, como se não houvesse alternativa possível a não ser o confinamento. Se fosse possível, se viveria em condomínios fechados, para não haver necessidade de presenciar o que incomoda. Quanto mais protegidos melhor. Shoppings, condominios, clubes …

A grande pergunta – O que fazer?

A musica do vídeo traz em sua letra reflexões que podem ajudar. Brooke Fraser é uma cantora da Nova Zelândia, que possui, além de uma incrível voz, um excelente repertório. Ela esteve na África e presenciou a situação enfrentada por grande parte da população daquele continente. Ela traz uma grande frase em sua musica – “Agora que eu já vi, sou responsável … agora que eu te tive em meus próprios braços”. Eis uma resposta adequada para a pergunta acima.

Diz a sabedoria popular que não é possível abraçar o mundo com os próprios braços. Assim também não é possível que a contribuição de uma pessoa, ou grupo, resolva os grandes problemas da sociedade. Entretanto, a responsabilidade chega quando se vê, quando se carrega nos braços, quando verdadeiramente se sente a dor do outro. A dor verdadeira, não a dor passageira e ilusória, que se observa em 30 segundos parado no semáforo. Portanto, é missão de cada ser humano contribuir segundo as condições de cada um, segundo o braço alcança, e a partir do que se viu. Talvez com relação ao resto, deve-se sim obter conhecimento a respeito, para não viver na ignorância, mas não carregar a dor, muito menos se culpar pela impossibilidade de ajudar. Não há quem consiga viver se absorver todo o sofrimento que se presencia no cotidiano. Existem dores que não pertencem a você. Se existe comprometimento com aquilo que está diante dos olhos, essa atitude gera frutos. E da fidelidade no pouco, cada um se abre lentamente à fidelidade as coisas maiores. Caminhando conforme pode seguir seus próprios passos. O Bill Gates pode contribuir segundo os braços dele alcançam. Da mesma forma o mendigo da praça da Sé.

Não há alguém tão rico que não precise de ajuda, nem ninguém tão pobre que não possa oferecer. É necessário apenas sensibilidade para perceber qual a “Ruanda” de cada um? Se a Ruanda que você viu, está ao seu alcance, você já se tornou responsável. Que se estenda os braços e se comprometa com a Ruanda nossa de cada dia.

Felipe Savietto

Por Felipe Savietto

3 pessoas comentaram »

  • Juliano Pozati disse:

    Maravilhoso clip, maravilhoso artigo! “Agora que eu já vi, sou responsável” me lembra e faz entender: “Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.” Lucas 12.48

  • Daniele Camila Ourives disse:

    Já faz algum tempo em que venho refletindo sobre a omissão… o fato de não conseguirmos abraçar o mundo e com isso, correndo o sério risco de utilizar-nos da indiferença, tenho a licença poética de acrescentar um pronome na famosa frase de Antoine de Saint Exupéry: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que TE cativa. Com isso, podemos entender melhor o que Deus fez pelo ser humano…“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3:16

  • Luis Marsoti disse:

    Desculpem ai, mas não vou me omitir com relação a isso.

    Todos nós temos problemas, todos somos filhos de Deus. Infelizamente não tenho nenhuma passagem biblica na cabeça que calhe com o momento, mas tenho a vivencia da pastoral do menor.

    Pobresinhos das crianças de Ruanda, o continente africano sim que merece uma boa ajuda, mas pensem bem, nós também. Onde estão nossas crianças e jovens? Se drogando e/ou pedindo esmola, isso não é novidade nenhuma. E o pior que ainda reclamam que “Deus” não abençoou eles.

    Para pra pensar numa favela. Os caras não tem IPTU, luz e água, pois tudo é “cedido” pelo governo. Como a renda é “baixa” eles não tem imposto de renda, e ainda por cima recebem mais de R$ 300,00 de ajuda do governo. Nisso eles fazem varios carnês das casas Bahia e se entopem de eletronicos. Isso acontece, ja vi.

    Agora, nunca dei e nem vou dar dinheiro pra quem pede na rua, por mais estrupiada que a pessoa seja. Por um simples motivo, VAI TRABALHAR VAGAL. Não venham dizer que estou sendo hipocrita que eles não tem instrução pra trabalhar. Pra carpir um terreno não precisa de 8ª série completa.

    Agora, ajudo quando posso os abrigos de pessoas desamparadas e orfanatos. Esses sim merecem nossa atenção, pois as criançinhas orfãs não tem pra onde ir, e os mendigos não tem “luxos” pra dormir.

    Vou deixando um trecho de uma musica do Rosa de Saron que gosto muito:

    Anjos das ruas
    Anjos que não podem voar
    Pra fugir do abandono
    E um futuro poder encontrar
    Anjos das ruas
    Anjos que não podem sonhar
    Pois a calçada é um berço
    Onde não sabem se vão acordar

    Fiquem com Deus,

    PS: Desculpe a intransigencia normal da minha pessoa. rs

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