E ôô vida de gado!
Vocês que fazem parte dessa massa,
Que passa nos projetos, do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais, do que receber.
E ter que demonstrar, sua coragem
A margem do que possa aparecer.
E ver que toda essa, engrenagem
Já sente a ferrugem, lhe comer.Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo felizVIDA DE GADO – ZÉ RAMALHO
Para nós, tripulantes da nave terra, a atual Era da Informação tem peculiaridades muito interessantes. Assim ficou conhecido o tempo que vivemos devido a grande acessibilidade das informações. Após a criação do microprocessador, do computador pessoal e da internet, um imenso leque de opções de acesso a informação nos foi dado: PCs, Notebooks, Palms, Celulares, PDAs, etc. Mas não foi só isso. O volume de conteúdo gerado também se multiplicou infinitamente com a chegada da internet.
Você acessa seus portais prediletos, assina RSS, segue as pessoas e sites que curte no Twitter, participa de comunidades em redes sociais, baixa músicas, assina newsletters, compra eletrodomêsticos sem sair de casa, recebe e-mail de parentes e amigos a quilometros de distância. Tudo em tempo real, a menos de um clique de distância. E se um mexicano espirrou logo alÃ, antes que alguém diga “saúde” você já está sabendo e postanto sobre a Gripe SuÃna no seu blog! Puxa!

Mas o problema todo não está na informação ou mesmo no excesso de informação que geramos hoje em dia. O problema está no que fazemos com ela – ou melhor, no que não fazemos. Quando comemos muito rápido, não temos tempo de saborear o alimento, e nossa digestão certamente será complicada. Com excesso de informações acontece o mesmo. Não saboreamos cada fato. E sem saboreá-lo, não reagÃmos a ele como deverÃamos.
Por exemplo, no inÃcio deste mês, explodiu na mÃdia os escandalosos salários e cargos do Congresso. Nossa conta é uma das mais altas do mundo. Tem “zelador” em BrasÃlia que mal concluiu o colégio com salário de presidente de multinacional. Os números estão em qualquer jornal ou revista do inÃcio de Abril. Nós deveriamos reagir como Jesus no templo, diante dos comerciantes. Mas o fato é que antes que pudessemos digerir essa informação a tal gripe suÃna já invadiu nossos tele-jornais.
E assim vamos sendo arrebanhados de manchete em manchete, para um estado de completa estagnação. Incapazes de reagir, de criticar, de protestar e lutar. Os fatos já não nos incomodam. “Eh, ôô, vida de gado, povo marcado, povo feliz”!
O que mais me incomoda nisto tudo mesmo é que enquanto a gripe suÃna impregnou nossos tele-jornais com “atchim”, os folgadões de BrasÃlia celebram mais uma vez e com a taça no alto respondendo: “Saúde”!!!
Juliano Pozati
Por Juliano Pozati















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