“E deixo assim ficar subentendido”
A dinâmica de aprender a amar é algo que sempre está em construção dentro de mim. E para falar a verdade, não acredito que possa ser diferente.
Hoje estávamos pensando sobre o blog, coisas para escrever e tal… O Juliano me propôs ouvir esse vÃdeo do Fábio de Melo que eu já havia ouvido meses atrás, por indicação dele mesmo. No vÃdeo, o Fábio cantou “Apenas mais uma de amor†do Lulu Santos.
Hoje a música ressoou de forma diferente. Lógico que as fala do Fábio, como sempre tão sábias, me levaram a uma reflexão positiva. Mas caminhei para um lado diferente. Percebi que tem amores que não podemos deixar subentendidos. Lembrei da minha casa, da minha famÃlia.
Quantas vezes parece tão óbvio o amor que existe entre nós, óbvio ao ponto dele parecer subentendido. Mas não deveria! Preciso aprender a transbordar de amor. Jesus transbordava de amor, fazia questão de mostrar em gestos aquilo que era constante no seu olhar. Muitas vezes, por essa certeza que os laços familiares trazem a respeito de um amor que deveria ser óbvio, deixamos de transbordar amor e oferecemos apenas o nosso pior dentro de casa. Certamente aqueles a quem mais amamos, são aqueles que também vão colher o nosso pior, porque, para ser verdadeiro, o amor precisa conhecer por completo. Se amamos, podemos ser nós mesmos, sem máscaras, com o melhor e o pior. Entretanto, a “garantia†de amor tira de nós certas exigências e por fim acabamos relaxando, oferecendo apenas nosso cansaço, nossa insatisfação. Esses dias percebi essa questão na pobreza dos diálogos, nas respostas rápidas – “Como foi seu dia?†– “Bom!†– A falta dos detalhes pode ser um sinal de esquiva. Contudo, percebi que eu quero a partilha. Quero a oração que acontece no jantar, a vibração com as pequenas conquistas, a gargalhada com os revezes, atrapalhadas e a merda da pomba que caiu na roupa. A rotina nos assola! Não quero! Não sou ingênuo a ponto de achar que a vida no cotidiano vai se tornar uma partilha de retiro, desses que revolucionam nossa vida e ficam na história. Sei que não! É por isso que existe essas oportunidades de quebrar a rotina. Mas também não quero o “subentendidoâ€.
Vençamos as armadilhas da rotina. Que fique entendido e muito bem entendido nosso amor uns pelos outros. Principalmente com aqueles com os quais moramos. Seja apenas no olhar, no gesto simples do sonho de padaria trazido numa quarta-feira boba, no beijo de boa noite, ou nos comentários dispensáveis durante a novela das oito, mas seja a intenção de deixar entendido o nosso amor.
As renúncias que fazemos em prol do amor que temos, são aspectos que engrandecem esse mesmo amor. Essas renúncias podem ficar subentendidas. Não precisamos expor, não precisamos contabilizar o número de vezes que perdoamos, nem o que perdemos para que o outro ganhasse. Se fazemos questão de expor essas particularidades é porque queremos apenas o benefÃcio que vem intrÃnseco á nossa renuncia. Aà ela deixa de ser verdadeira para ser interesseira.
Só posso pensar que o amor é um equilÃbrio de falar e calar, expor e ocultar. Que Jesus seja nosso grande mestre nesse aprendizado!
Felipe Savietto
Por Felipe Savietto















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